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Um dia estranho – Terceira parte

por Catarina Faustino a Domingo, 29 de Agosto de 2010 às 9:15
O lobo não saltou, foi-se aproximando, devagar, parecia que ele estava a crescer a cada passo até ficar mesmo aos meus pés, sentou-se, o seu nariz chegava á altura do meu peito, ele estava mesmo enorme, agora não era aquele pausinho que eu tinha que o ia derrubar. Agora sim eu estava com medo de verdade, uma patada daquelas garras e eu ja era.
O que fazes aqui?
Apanhei um tremendo susto quando o lobo falou.
Eu vim buscar o cristal para umas fadas que estão á minha espera, elas querem salvar uma amiga.
Foi o que eu lhe disse com a voz a tremer.
Podes até estar a dizer a verdade mas eu não te posso deixar levar o cristal.
Temia que me dissesse aquilo.
Porquê?
Perguntei eu como é obvio.
Porque eu preciso dele!
Disse ele com um rugido tão grande que tive de tapar os meus ouvidos e dar uns passos para trás. Olhei melhor nos olhos do lobo, não pareceram olhos de um animal feroz, normalmente a cor deles é amarelada, mas ele tinha os olhos castanhos, seria loucura dizer que reconheci aqueles olhos de algum lugar mas não sei dizer de onde.

Eu posso devolver-to depois, mas agora tenho que o levar.
NÃO!!

Ele rugiu de tal maneira que tive medo, avançou para mim para me atacar e eu corri, cheguei a um beco no meio da floresta, parece estranho, mas haviam demasiadas arvores á minha frente com largos troncos que faziam um beco e o lobo estava ali pronto para talvez acabar comigo, não penso que ele queira negociar nesta altura.
O lobo pos-se de pé, não era apenas um lobo era um lobisomem e ja estava mais alto do que eu, tinha uma espessa camada de pelo na cabeça ombros e costas, enquanto que o peito e barriga tinha pelo mais curto deixando perceber o seu meio-corpo de homem.
Não me faças mal. Por favor!
A expressão do lobo mudou repentinamente.
Não tenho motivos para magoar, Catarina!
Fiquei pasmada, ele sabia o meu nome, entao eu tinha razao em dizer que reconhecia aquele olhar.
Tu conheces-me? Como sabes o meu nome?
Perguntei ao lobo, aproximando-me dele. Ele desviou a cara (ou focinho).
Não te posso dizer, mas vais acabar por descobrir porque quis acabar.
Não tinha mais palavras para dizer, além do choque.
Carlos!
O lobo olhou para mim, pos-se em quatro patas e desapareceu no arvoredo. Não tive tempo de lhe pedir para esperar, tinha tantas perguntas, tantas duvidas e ele fugiu de mim. Como de tantas vezes que me ignorara as sms que lhe mandara. Deixei-me cair de joelhos no chão e chorei por estar novamente sozinha. Não havia mais nada a fazer, limpei as lágrimas, procurei galhos secos e tentei inúmeras vezes acender uma fogueira para me aquecer. Mas desisti, não sabia mesmo como a acender deitei-me no chão com medo de adormecer, sentindo o pequeno cristal ainda no decote do meu vestido.
O lobo, nem sempre foi um lobo, já foi um homem, já foi meu namorado, mas não era mais e agora tinha-o encontrado aqui. O que lhe teria acontecido? Porque se afastava ele de mim?
Não dei conta de ter adormecido, e quando acordei sentia-me quente, no entanto os ramos secos não estavam queimados. Senti um respiração profunda nas minhas costas. O lobo estava deitado ao meu lado abraçando-me como uma concha para eu não ter frio. Pus os meus braços entrelaçados nos dele e voltei a adormecer mais segura e feliz.
Mal o sol nasceu acordei, ele ainda lá estava a dormir. Levantei-me com cuidado para me esticar um pouco, ajeitei o vestido, ainda tinha o cristal, só depois é que o fui acordar. Ele rugiu um pouco ao ver-me mas depois ficou quieto e levantou-se.
Só te levo até à orla da floresta, depois segues sozinha.
Tentei falar mais com ele, esclarecer as minhas duvidas mas ele voltou a rugir, percebi logo que ele não ia falar comigo, mais uma vez. Escoltou-me até eu avistar as fadas mas sempre pelos arbustos, enquanto eu seguia pelo caminha das pedras.
Eu vi-as ao longe, após longas horas de caminho em silencio perturbador, olhei para trás e deixei de o ver, triste fui ter com as fadas que brincavam entre si, ficaram muito felizes por me ver e ainda mais quando lhes mostrei o cristal, apressaram-se a levar-me montanha abaixo para irem salvar a amiga delas. Passámos pelo penedo, ja me tinha esquecido que era o meu carro transformado, descemos mais uns metros e avistei uma caverna com grades na entrada. Ao espreitar lá para dentro fiquei espantada, esperava ver outra fada aprisionada mas vi a Cahil, era ela quem estava ali presa. Entreguei-lhe logo o cristal e assim conseguiu quebrar o feitiço implantado nas grades e saiu cá para fora.
O que te aconteceu?
Perguntei-lhe.
Nem queiras saber, tive mais uma luta, e fiquei prisioneira. Desculpa, mas eu precisava de ajuda e como aquele portal tinha ficado aberto pedi ás fadas para te irem buscar.
Não lhe disse nada, estava muito cansada e só queria voltar para casa.
Será que eu posso voltar agora? Estou cansada.
Ela sorriu para mim.
Sim, claro. Já percebi que te cruzas-te com alguém.
Já não me surpreendeu ela ter adivinhado, só lhe disse que sim com a cabeça e comecei a chorar. Não ir poder devolver o cristal ao lobo, como lhe tinha dito, e se calhar não ia voltar a vê-lo outra vez. Cahil pos-me a mãos no ombro e subimos a montanha. As fadas voltaram de transformar o penedo, e lá estava o meu carro intacto, entrei nele, a chave surgiu nas mãos da Cahill não sei como, mas enfim, não me apeteceu perguntar, entrei e liguei-o vendo outro portal aberto á minha frente e avancei com o carro até o atravessar.

Mal passei, notei logo que as minhas roupas originais voltaram e o telemóvel apitou com o regresso da rede. Cheguei a casa, e fui-me deitar adormeci com os pensamentos voltados para o que me tinha acontecido naquele mundo, com saudades, com tristezas, esperando não voltar para aquele sitio para sair de lá sem respostas. Terminou assim o meu estranho dia.

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